1ª parte
2ª parte
1ª parte
2ª parte
Para Osvaldo Dragún
Rosa Luisa Márquez/Antonio Martorell
¡Oh, Osvaldo! ¡Uy, Dragún! Botafogo para los amigos, el Drago para los enemigos, que no tenía, por eso nunca se dragó. Era la fuente de la juventud en la antorcha encantada de su eterno cigarro. Un dragón adolescente enamorado de la vida, con mil y una Historias para ser contadas, comenzando por Los de la mesa diez, hasta su última cena en el cinematógrafo con palomitas de maiz en mano, de la mano de su esposa Beatriz y flanqueado por su amigo dramaturgo Roberto Cossa; un Moliére contemporáneo haciendo mutis entre bambalinas, candilejas y diablas encandiladas camino a sus nubes estrelladas.
Un dragón porteño, chupador de mate, maestro tanguero, futbolista y nadador estrella, adalid de doncellas desvalidas, activista cultural y amigo fiel.
El dragón de nuestra historia llegó a la Insula Barataria en plenos Juegos Panamericanos de 1979 y desde entonces hemos estado jugándonos la vida en el teatro. Llegó, con una versión realista y madura de su ya clásica Historias para ser contadas ejecutada con el elenco original del Teatro de los Buenos Ayres para el cual las escribió en 1956. En 1988 las remontó con los Teatreros Ambulantes de Cayey, en una versión épica, juguetona, tropical y guapachosa para la cual escribió una canción de entrada que decía “Nada es lo que parece ser.” Con un prólogo cantado, una sábana versásil, un paraguas sin lluvia y varias latas de cerveza llenas de granos musicales.
Qué sea el propio Dragún el que relate esa experiencia:
Dirigí las Historias muchas veces. Y cada vez me hacía-y me sigo haciendo-la misma pregunta: ¿ya que la historia que se cuenta se ha vuelto obvia para casi todo el mundo, y más que transformadora, confirmadora de una situación, ¿cómo transferir la posiblidad de tranformación a la estructura? ¿Cómo lograr que el público descubriese su propia capacidad de tranformalo todo, no a través de la historia escrita, sino de la historia vista, esa en que los objetos cambian de valor, de acuerdo al valor que se les de; en que el espacio se destruya para transformarse, reconstruirse en otro, más rico, más imaginativo? ¿Cómo rescatar para el ser humano su necesidad artesanal en un momento en que todo lo que produce parece fabricado por teléfono, a distancia?
Cuando trabajé con Los Teatreros Ambulantes de Cayei esas preguntas no fueron difíciles de contestar. Ellos ya eran un grupo de artesanos del teatro. Estaban entrenados, guiados, a hacerlo todo, sin nada. O mejor dicho, restituirle a cada objeto, a cada espacio, a cada hoja a cada piedra su valor humano, múltiple, imaginativo, necesario, artesanal…
Ese fue nuestro trabajo. Cómo divertirnos con los espacios, los objetos, y las personas, viendo cómo, delante nuestro, dejaban de ser lo que parecían ser. Y nos sorprendían. Por eso nos reímos, nos divertimos mucho con ese trabajo, porque vivimos sorprendiéndonos. Creo que por un tiempo logramos restituir su magia perdida al cotidiano. Y eso da risa. (en Brincos y saltos, 1991)
Y nos reimos escribiendo estas líneas, con él, de él y de nosotros mismos. Porque de eso se trata, del juego creador y de la risa renovadora, de a mal tiempo, buena cara.
La cara caríssima, maleable, como la de un muñeco de pan, siempre lista para el horno, humeante, cálida, alimenticia, vital, botando fuego. Ciao, Botafogo…
¡Ay, Dragún! ¡Oh, Osvaldo!
Latino América, seu teatro, seus teatreros
Queremos publicar algumas breves notas sobre teatro latino americano e sobre as mulheres e homens de teatro que contribuíram para construir a sua identidade e isto por varias razoes
A primeira é que consideramos que no Brasil o teatro de outros países de América Latina pouco se conhece e se estuda e seria importante tentar quebrar essa barreira de desconhecimento que parece imposta pela língua
A segunda é destacar a coincidência de desejos e objetivos entre homens e grupos que se encontravam distantes e sem as facilidades de comunicação que temos hoje
Chama a atenção que , sem se conhecer, tenham tido tantas afinidades
Afinidade ideológica e politica em primeiro lugar
Preocupação com a criação de um teatro latino americano
O Teatro Arena se encontra nessa mesma línea de pensamento e preocupação estética
Augusto Boal é parte integrante do grupo de “teatreros” responsável pela criação de um teatro latino –americano
Citamos alguns nomes: Atahualpa del Cioppo, do Uruguay , diretor do teatro El Galpón, Liber Forti da Bolívia, Alejandra Boero e Oscar Ferrigno, da Argentina, Miguel Rubio, o diretor peruano, Enrique Buenaventura
Gostaríamos de publicar um pequeno texto sobre cada um deles na espectativa de gerar o interesse por conhece-los mais
Queremos começar hoje por Osvaldo Dragún, dramaturgo argentino , e coloca-lo no contexto do “ teatro independiente” de Buenos Aires antes de postar o texto que nos mandou Rosa Luisa Marquez quem teve a ocasião de conhece-lo e trabalhar com ele
O Teatro Independiente na Argentina
Este movimento , que perdura de certa forma até os dias de hoje em Buenos Aires, apareceu como uma alternativa ao “teatrão” comercial de tradição espanhola
Buenos Aires era , e ainda é , uma cidade de grandes teatros concentrados principalmente en la Av Corrientes, uma avenida larga no centro da cidade
Espaços teatrais caros para os teatreros, entradas caras para o público
Alguns teatreros argentinos já nos anos trinta começaram a se preocupar com a impossibilidade de atingir determinados públicos, impedidos de ir ao teatro devido ao preço das entradas
Aparece assim, num espaço alternativo, o primeiro teatro independente, o Teatro del Pueblo
Estes teatros surgem , e assim continua até hoje , em porões, patios, galpões
Alguns são mínimos , porém todos estão animados pelo mesmo desejo de apresentar um teatro diferente
Osvaldo Dragún é um dos dramaturgos que surgiram no contexto deste movimento
Dragún, el Chacho, como era chamado, nasceu na Argentina em 1929 mas foi um auténtico teatrero latino americano
Viajou e trabalhou em vários países : Cuba, México, Venezuela, Peru, Colômbia
Em todos criou laços e marcou com a sua influencia
Em Buenos Aires foi um dos criadores de Teatro Abierto, onde estreou varias das suas obras
Em La Habana , criou e dirigiu a Escuela de Teatro de Latino América y el Caribe
Morreu em Buenos Aires em 1999 e foi pela ocasião do seu falecimento que Rosa Luisa e Antonio escreveram este texto que postamos hoje no nosso blog
Gostaríamos de estabelecer um dialogo com que se interesse por estas questões e convidamos a quem conhece a obra de Dragún a se manifestar também
À seguir , o texto de Rosa Luisa Márquez e Antonio Martorell e do próprio Dragún, que eles incorporam
Reparem , porque é interessante , as coincidências com o pensamento e as preocupações de Boal
Boal e Dragún nunca se encontraram, em fim, não me lembro disso
Mas acho que se eles tivessem se encontrado certamente teriam tido muito prazer em se conhecer
Cecilia Boal
Miguel Rubio , director del Grupo Cultural Yuyachkani , envia para nuestro blog este texto que pronunció en la Casa de las Américas durante la ceremonia de su Doctorado Honoris Causa por la Universidad de las Artes
La Habana, Cuba
Martes 11 de Mayo de 2010
Compañeros de tiempo de viento y de luz a quienes debo mi aprendizaje. Desde hace cuarenta años soy un observador de su crecimiento, de su autonomía como artistas, autores-actores de su creación, en nombre de cada uno de ellos hago mío este reconocimiento.
Es justo también desde esta tribuna rendir homenaje a los maestros que nos formaron, algunos de ellos sin saberlo, como Luis Valdez y su teatro campesino, de gran inspiración para nosotros.
Augusto Boal, Vicente Revuelta, Flora Lauten, Santiago García, Enrique Buenaventura, Oswaldo Dragún, Rosa Luisa Márquez, Antunes Filho, Eugenio Barba, todos ellos viven en nosotros.
En esta, nuestra Casa de las Américas, entendí y sentí que soy latinoamericano y parte de una moderna tradición escénica que surge en nuestra América a mediados del siglo pasado.
Vera Vital Brasil, membro do nosso Conselho e uma das organizadoras do evento , nos encaminhou este texto de Rosário Amaral
Para escrever uma verdadeira história
Por: Rosário Amaral
Jornalista
“É possível ouvir o testemunho do terror? É possível reparar o dano causado pelo terror? É possível agrupar as pessoas em torno destas interrogações, sem ceder ao medo e à negação?”Questões como essas acima soam como provocações que nos levam refletir, conforme aconteceu no III Seminário de Intercâmbio de Experiências Latino-Americanas em Saúde Mental e Direitos Humanos, realizado no dia 12 de janeiro, no Instituto Municipal Philippe Pinel , que tomou como tema central: “Clínica Política: Potência Grupal e Clínica do Testemunho”.
Buscando dar continuidade ao intercâmbio de experiências sobre a atenção aos afetados pela violência de Estado, iniciada em 2010, no Rio de Janeiro e em Buenos Aires, foram discutidos temas relacionados à construção da memória, da verdade e da justiça. Como produzir avanços no campo dos direitos humanos a partir do funcionamento da Comissão Nacional da Verdade em nosso país? Como criar condições de atenção clínica e jurídica às testemunhas que irão dar seus depoimentos na Comissão? Há uma relação entre os crimes de lesa humanidade cometidos no passado e na atualidade? O que podemos aprender com a experiência argentina que colocou os torturadores nos bancos dos réus e que nos instiga a buscar um desfecho similar aqui no Brasil?
Ao abrir as atividades Vera Vital Brasil, membro da Equipe Clínico Política e membro colaborador da Escola de Saúde Mental do Rio de Janeiro, instâncias responsáveis pela organização do evento, justificou a ausência de alguns convidados e convidou o Coordenador do Projeto “Direito à Memória e à Verdade” da Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República, Gilney Viana, ex preso político, para se pronunciar. Este discorreu sobre o compromisso da Secretaria de DH com a construção da Memória e da Verdade, com as políticas de reparação, e a importância histórica da Comissão Nacional da Verdade, que deverá ser instalada em breve.
O Seminário colocou em foco a necessidade de construir grupos, equipes profissionais, fortalecer os coletivos, criar corrente para esclarecer o que ocorreu na ditadura civil militar que matou, violentou, seqüestrou brasileiros e latino-americanos, construindo a memória dos que lutaram contra ela – até então invisibilizada na história oficial -, e contribuindo para o fortalecimento da democracia com respeito aos direitos humanos em todas as suas dimensões: econômica, política e social.
O psicanalista argentino Osvaldo Saidon, em nome da psicóloga Fabiana Rousseaux, diretora do Centro Fernando Ulloa da Secretaria de Direitos Humanos da Argentina, que não pode estar presente, discorreu sobre o trabalho de acompanhamento de testemunhas que vem sendo desenvolvido por aquela Secretaria de Estado nos julgamentos de responsáveis pela tortura e extermínio na Argentina. Este tema foi coordenado por Fernando Ramos, coordenador da Escola de Saúde Mental e teve como debatedores vários membros do Coletivo RJ Memória Verdade e Justiça: Colombo Vieira, ex-preso político, membro da Rede Democrática, que, dentre várias considerações críticas acerca da Comissão Nacional da Verdade, deu seu depoimento sobre as dificuldades enfrentadas logo após o longo período de prisão para a reinserção social de sua família; Fabio Cascardo, advogado, e Tiago Regis, psicólogo, trouxeram sua rica experiência em uma equipe multidisciplinar de atenção aos afetados pela violência de Estado nos dias atuais, e Vera Vital Brasil, da Equipe Clínico Política, apontou a importância da criação de suporte clínico às testemunhas que venham a depor junto a Comissão Nacional da Verdade, para além da necessária abertura total dos arquivos da ditadura.
Na apresentação do livro “Potência Grupal”, que reúne textos sobre o tema dos grupos, publicação organizada por Osvaldo Saidon com a participação de Eduardo Losicer, um dos autores, abriu-se o debate sobre os “Dispositivos Grupais e a Clínica Política”. Marta Zappa, coordenadora da residência em Saúde Mental, coordenou este debate que teve comentários de Eduardo Losicer, da Equipe Clínico Política, Marco Aurélio Jorge, psicanalista e professor da Fiocruz e Julian Boal, que discorreu sobre a história da construção inovadora de trabalho grupal do Centro do Teatro do Oprimido.
O debate do público participante foi fértil e se estendeu até às 22 horas. Vários apontaram casos de ex-presos políticos torturados que passaram pelo Instituto Pinel na época da ditadura, destacando o caráter punitivo desta medida, bem como a solidariedade de alguns profissionais que lá trabalhavam na ocasião. Destacou-se que é preciso potencializar as experiências, ainda difusas, para a construção da memória e da verdade, através da fala dos que sofreram a ação da violência e terror político do Estado brasileiro por mais de 20 anos. E de que é preciso construir caminhos para a justiça no país.
Essas experiências e iniciativas têm ocorrido nas mais diferentes áreas da sociedade brasileira. A abordagem através do Direito, na busca da Justiça; na Cultura através das artes; na academia através da pesquisa, ou a exemplo da experiência inovadora dos psicólogos e psiquiatras da Equipe Clínica e Política que, através da escuta qualificada, tem contribuído para dar sentido à experiência dolorosa dos torturados e de seus familiares, dos que viveram na clandestinidade dentro e fora do país, dentre outros exemplos.